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Como capturar CO2 do ar e armazená-lo debaixo da terra

Tecnologias recebem boom de investimentos globalmente; indústria brasileira do etanol tem grande potencial

Melina Costa, do Economia do Futuro
##ECONOMIA15 de jun. de 232 min de leitura
Melina Costa, do Economia do Futuro15 de jun. de 232 min de leitura

O Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima da ONU, maior autoridade do mundo em ciência climática, é claro: para limitar o aumento de temperatura global a 1,5 ou 2 graus até o fim do século, precisamos cortar as emissões de gases do efeito estufa pela metade já nos próximos sete anos.

É um prazo apertado e o próprio painel reconhece que, para chegar lá, precisamos não só diminuir emissões mas também contar com a ajuda de tecnologias que removem gás carbônico da atmosfera e o depositam debaixo da terra ou no fundo dos oceanos. São as chamadas técnicas de CCS, ou carbon capture and storage

Já existem 30 usinas de captura de carbono em operação no mundo e outros 190 projetos estão em desenvolvimento. Só nos Estados Unidos, um megapacote de iniciativas climáticas inclui US$ 12 bilhões em subsídios para essas tecnologias. 

Aqui vai o exemplo de um tipo específico de CCS para você visualizar do que se trata. A empresa suíça Climeworks instalou ventiladores enormes na Islândia, que sugam o CO2 direto do ar e o misturam com água. Essa água com gás é enterrada e, ao reagir com a estrutura geológica local, se transforma em rochas. Ou seja, o carbono que estava no ar fica estocado debaixo da terra, em tese, para sempre. 

Há outras formas de tirar CO2 do ambiente e diferentes indústrias que podem fazer uso dessas tecnologias. Um grande destaque é a indústria brasileira do etanol que poderia até tirar mais carbono da atmosfera do que emite no seu processo de produção, tornando-se climate positive. Outra indústria que deve ter um papel crucial no CCS é, paradoxalmente, a indústria do petróleo.  

Se você não está inteirado a respeito do CCS, vai sair desse episódio sabendo muito. A minha entrevistada é Isabela Morbach, co-fundadora da ONG CCS Brasil. O trabalho de doutorado dela ajudou a embasar o projeto de lei que propõe o marco legal para captura e armazenamento geológico de carbono - e que acaba de ser aprovado na Comissão de Infraestrutura do Senado.
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O EDF é publicado quinzenalmente às quintas. Para não perder nenhum episódio, siga esse podcast no seu tocador. E se quiser entrar em contato, meu email é [email protected] 

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